quarta-feira, 8 de junho de 2011

Capítulo VI

Este capítulo começa com Baltasar, Sete-Sóis a realçar a importância do pão para os portugueses e o facto dos estrangeiros que vivem em Portugal estarem fartos de comer pão. Assim eles produziram e trouxeram dos seus países os seus alimentos e vendiam- nos muito mais caros sendo difícil aos portugueses comprarem-nos. Depois Baltasar conta a história caricata de uma frota francesa; quando ela chegou a Portugal, os portugueses pensavam que vinha invadir o nosso país, afinal tratava-se de um carregamento de bacalhau.

No decorrer do capítulo, Baltasar fala com o padre Bartolomeu Lourenço. Bartolomeu diz sonhar que um dia conseguirá voar e disse a Baltasar que o Homem primeiro tropeça, depois anda, depois corre e um dia voará. Baltasar dá a sua opinião argumentando que para o homem voar terá que nascer com asas. O padre Bartolomeu alerta Baltasar para o facto de ser um pecado ele dormir com Blimunda sem serem casados. Depois Baltasar e Bartolomeu vão para S. Sebastião da Pedreira para verem a máquina que Bartolomeu inventou para um dia poder voar e à qual chamou passarola. Quando chegaram, Bartolomeu mostrou o desenho da passarola a Baltasar explicando- lhe como é que tencionava fazê-Ia voar. Após a explicação, Bartolomeu pede-lhe para o ajudar na construção da passarola. Inicialmente Baltasar mostra-se receoso em aceitar a proposta, mas depois de Bartolomeu dizer que o facto de Baltasar ser maneta não tem importância, então este aceita o desafio.

Capítulo VII

No início deste capítulo a falta de dinheiro é o grande obstáculo que Baltasar tem de ultrapassar para começar a construção da passarola. Então Baltasar começa a trabalhar para ganhar o dinheiro necessário para poderem realizar o seu sonho, fazer a passarola voar.

No decorrer deste capítulo o narrador relata os assaltos que os portugueses sofreram durante as suas viagens marítimas. Fala também sobre a gravidez de D. Maria Ana que teve uma menina, embora D. João quisesse um rapaz; mas o mais importante é que a menina nasceu saudável. Na altura do nascimento a seca que durava há oito meses acabou, vindo assim muita chuva. Mais à frente o narrador narra o baptizado da princesa, a quem chamaram Maria Xavier Francisca Leonor Bárbara e no fim deste capítulo anuncia a morte de Frei António de S. José.

Capítulo VIII

Baltasar e Blimunda estão a dormir na sua cama. Entretanto Blimunda acorda, e estende a mão para o saquitel onde costuma guardar o pão, mas apenas acha o lugar; então procura por baixo do travesseiro e no chão, no entanto Baltasar diz-lhe para não procurar mais, porque não irá encontrar o pão. Baltazar terá perguntado já várias vezes ao Padre Bartolomeu o porque de Blimunda comer pão antes de abrir os olhos, o padre apenas lhe respondia que era um grande mistério. Blimunda com os olhos fechados, tapando-os com as mãos, implora a Baltasar para que lhe de o pão, mas este só lhe dará o pão depois de Blimunda lhe contar que segredos esconde. Esta tenta sair da cama mas Baltasar não deixa, e acaba por haver um conflito entre eles e ele acaba por lhe dar o pão, mas só depois de Blimunda lhe prometer que lhe contava tudo depois de comer. Passados uns breves momentos após Blimunda ter comido o pão virou-se para Baltasar e diz-lhe: "Eu posso ver as pessoas por dentro, mas só o faço quando estou em jejum e promete nunca ver Baltasar por dentro. Ele não acredita. Então ela diz a Baltasar que lhe irá provar, que no dia seguinte quando acordassem iriam os dois à rua e ele iria atrás para que Blimunda não o pudesse ver, e Blimunda iria à frente de olhos fechados e que lhe diria o que veria por dentro das pessoas, o que estaria no interior da terra, por baixo da pele e até por baixo das roupas, mas tudo isto acabaria quando o quarto da lua mudasse. E assim foi...

A primeira visão de Blimunda foi a de uma mulher grávida de um filho varão, mas este tem duas voltas no pescoço de cordão umbilical, podendo morrer ou viver; em seguida Blimunda descreve o chão que pisão, dizendo que por cima tem barro encarnado, por baixo areia branca, depois areia preta, depois pedra cascalha, pedra granita no mais fundo, e nela há um grande buraco cheio de água com o esqueleto de um peixe maior que o seu tamanho; a terceira visão é a de um homem que se encontra em jejum; a quarta visão é de um homem com o seu órgão sexual apodrecido devido ao venéreo; a quinta visão é um padre com uma grande bicha solitária; a sua sexta visão é de homens e mulheres ajoelhados diante do nicho de S. Crispim, e diz a Baltazar que o que ele pode ver são persignações, o que ele pode ouvir são pancadas e bofetadas que por penitência dão uns aos outros e a si próprios, mas Blimunda vê sacos de excrementos e de vermes; e por ultimo a sétima visão de Blimunda é uma nascida que se encontra na garganta de um homem. Depois de todas estas visões Baltazar continua sem acreditar, então Blimunda pele que ele com o seu espigão um buraco no lugar que ela indicara, e diz-lhe que encontrará uma moeda de prata, este assim o faz mas diz-lhe que a moeda é de ouro, ao que ela responde que sempre confunde prata com ouro.

D. Francisco encontra-se na janela do palácio a "espingardar" contra os marinheiros que se encontram nas barcas no Tejo.

Entretanto nasceu o infante D. Pedro, segundo filho dos reis D. João e D. Maria Ana Josefa sendo baptizado por 4 bispos. Por fim El-rei vai a Mafra escolher o sitio do convento, ficará num alto chamado Vela.

Capítulo IX

Baltasar e Blimunda mudam-se para a quinta do Duque de Aveiro, para trabalhar na construção da máquina de voar do Padre Bartolomeu Lourenço. Apesar de não ter a mão esquerda, Baltasar tem a ajuda de Blimunda. Uma vez por outra, Blimunda levanta-se mais cedo, antes de comer o pão de todas as manhãs e vai inspeccionar a obra feita, descobrindo a fraqueza escondida.
O padre Bartolomeu Lourenço tem fama de orador sacro e por este motivo é comparado ao padre António Vieira.

El-rei que ainda gosta de brinquedos protege o padre da Inquisição, por isso se diverte tanto com as freiras nos mosteiros e as vai emprenhando. Coitada da rainha, que seria dela se não fosse o seu confessor, por lhe ensinar resignação, e os sonhos em que lhe aparece o infante D. Francisco (irmão de D. João V). O padre Bartolomeu Lourenço decide partir para a Holanda, terra de muitos sábios sobre alquimia e éter, elemento que faz com que os corpos se libertem do peso da terra.
Nesta altura as freiras de Santa Mónica manifestam-se contra a ordem de D. João V de que elas só podem falar com familiares, sendo assim as esposas do Senhor já não ficariam grávidas no tempo de uma ave-maria. Mesmo assim as freiras saíram vitoriosas.

O padre abençoou o soldado e a vidente, despediu-se e partiu, deixando a quinta e a máquina de voar ao cuidado deles. Antes de partir para Mafra, o par decide não ir ao auto-de-fé e vão assistir às touradas, que é um bom divertimento. As touradas é como assar o touro em vida, tortura-se o touro enquanto o público aplaude a mísera morte. Cheira a carne queimada mas o povo nem nota pois os seus narizes já estão habituados ao churrasco do auto-de-fé.
Na madrugada seguinte Baltasar e Blimunda partem para Mafra.

Capítulo X

Baltasar e Blimunda chegam a Mafra a casa dos pais de Baltasar, mas só encontram sua mãe em casa; o pai foi trabalhar. Sua mãe fica chocada por ver seu filho e ver que tinha perdido a mão. Blimunda fica entre portas a espera que seu marido chame para conhecer a sua nova família. Ela entra e fica a falar um pouco com a sua sogra.

No fim do dia chega o seu pai João Francisco e conversam sobre o que tinha acontecido na guerra. Blimunda fala um pouco sobre a sua família e a uma dada altura diz que sua mãe foi degredada porque a tinham denunciado ao Santo Oficio. O pai de Baltasar fica preocupado, porque pensa que ela é judia ou cristã nova, mas Baltasar diz ao seu pai que sua sogra tinha sido degredada por ter visões e ouvir vozes, diz ainda que pretendem ficar em Mafra e que estão a pensar em comprar casa. Seu pai conta-lhe que vendeu as terras que tinha na vela, ao rei, porque queria construir um convento de frades.

João e Sete-Sois foram à salgadeira e tiraram um bocado de toucinho, que dividiram em quatro tiras e colocaram uma em cada fatia de pão e distribuíram por todos. Ficam a olhar Blimunda para verem se ela come a sua fatia, seu pai já podia tirar sua dúvida se ela era ou não judia, mas ela come-a e assim o sogro fica mais descansado. Baltasar diz a seu pai que precisa de arranjar um emprego para si e para sua mulher, todos ficaram com dúvidas se ele conseguiria arranjar trabalho devido à falta da mão.

No outro dia, conheceram a nova parente, Inês e seu marido que falaram sobre a morte do filho do el-rei e do seu filho que está doente. Baltasar caminha sobre as terras da vela e relembra os momentos que ali passou, encontra o seu cunhado e conversa sobre o convento que ali se construirá, e sobre os frades que irão vir viver para ali. Ao chegar a casa encontra sua mãe a falar com sua mulher sobre a rainha que agora visita muitas igrejas e muitos conventos onde reza pelo seu marido que está muito doente. D. Maria fica em Lisboa a rezar enquanto seu marido se acaba de curar naqueles campos de Azeitão, onde os franciscanos da Arrábida estão a assistir. O infante D. Francisco sozinho em Lisboa tenta fazer a corte a sua cunhada deitando contas à morte do rei. D. Maria diz-lhe que seu marido ainda não morreu e que não pensa em se casar de novo.

Capítulo XI

O padre Bartolomeu regressou da Holanda. Foi à Quinta de S. Sebastião da Pedreira, tinham-se passado três anos e tudo estava abandonado, o material que trabalhara disperso pelo chão, "ninguém adivinharia o que ali andar perpetrando." O padre vê rastos de Baltasar, mas não vê os de Blimunda e julga que ela morrera ou então dormiu na enxerga.Padre Bartolomeu estudou na Holanda com alguns sabios alquimistas e traz consigo esferas que terá de encher com o éter celeste.

Depois, parte para Coimbra, não sem antes passar por Mafra, onde vai ver os homens que iniciam o trabalho do Convento. Quando chega a Mafra enontra um grande vulto e compara os homens que trabalhavam no convento a formigas, pois todos levavam coisas para o mesmo buraco. Procurou por Baltasar e Blimunda, junto do pároco e informa-o que os casara em Lisboa. Blimunda veio abrir a porta e reconheceu-o pelo vulto, quando desmontava. Beijou-lhe a mão. Marta Maria estranhou que a sua nora fosse abrir a porta a quem não batesse ainda.

Mais tarde, chegam Baltasar e o pai e aquele, por convivência com Blimunda, ao ver a mula adivinha tratar-se do padre. Marta Maria, que já desconfiava ter uma "nascida" (tumor) no ventre, lamenta nada ter a oferecer ao padre, nem comida, nem abrigo para passar a noite. O padre Bartolomeu dorme na casa do pároco e, pela madrugada, chegam Blimunda e Baltasar. Ela sem comer. Bartolomeu ama-os, eles sabem. Baltasar pergunta se o éter é a alma e o padre diz que não, que não é a alma dos mortos mas sim a vontade dos vivos, explica que o éter é tão simples como ter dito Deus "Faça-se luz, e a luz fez-se". Blimunda espantou-se e o padre pediu que ela o olhasse por dentro. Ela viu uma nuvem escura, à altura do estômago. Era da vontade, diferente da alma, o que faria voar a passarola. Bartolomeu montou na mula, disse que ia a Coimbra e que, quando voltasse a Lisboa, mandaria avisar os dois para que lá estivessem. Baltasar ofereceu o pão a Blimunda, mas ela pediu, primeiro, para ver a vontade dos homens que trabalhavam no convento.

Capítulo XII

O filho mais velho de Inês Antónia e Álvaro Diogo morreu há três meses de bexigas; Álvaro tem a promessa de conseguir emprego na construção do convento; Marta Maria sofre de dores terríveis no ventre. João Francisco está infeliz porque o seu filho, Baltasar, partirá novamente para Lisboa, e o convento dará trabalho a muitos homens em Mafra. Blimunda foi à missa em jejum e viu que dentro da hóstia também havia a tal nuvem fechada, chamada de vontade dos homens.

O padre Bartolomeu de Gusmão escreve de Coimbra e diz ter chegado bem, mas agora viera uma nova carta para que seguissem para Lisboa "tão cedo quanto pudessem". Partiram em dois meses, porque o rei vinha a Mafra inaugurar a obra do convento. Sete-Sóis e Blimunda conseguiram lugar na igreja. No dia seguinte formou-se a procissão, o rei apareceu. A pedra principal foi benzida; foi tanta a pompa que gastaram-se nisso duzentos mil cruzados. Baltasar e Blimunda partiram para Lisboa. A mãe Marta Maria despede-se do filho dizendo que não o tornará a ver. Blimunda e Sete-Sóis dormem na estrada, por fim chegaram à quinta onde esperariam o padre voador. Mal lá chegaram, choveu.